O artigo de Fernando Zamith intitulado “Pirâmide invertida na cibernotícia: argumentos pró e contra”, propõe um confronto de posições e mostra uma pesquisa mais aprofundada sobre a pirâmide invertida na notícia escrita na e para a internet, ou a cibernotícia. Este artigo, resultante, sobretudo, de pesquisa bibliográfica, visa dar resposta(s) a uma questão: Faz ou não sentido usar a pirâmide invertida na cibernotícia? O autor acredita que a pirâmide invertida é a técnica de redação dominante no jornalismo de agência, crê ser mais adequado empregá-la também na cibernotícia.
O autor conta que em 2002 quando começou lecionar Técnicas de Expressão Jornalística Online, fora surpreendido com o nosso autor anterior. Diz ele que lendo o artigo de João Messias Canavilhas “Webjornalismo: Considerações gerais sobre jornalismo na web” (Canavilhas, 2001), constatou que ele afirmava peremptoriamente que “no webjornalismo não faz qualquer sentido utilizar uma pirâmide”. Conta que no artigo o autor há uma proposta de que a pirâmide invertida fosse substituída por “pequenos textos hiperligados entre si” – um primeiro texto a introduzir o essencial da notícia e os restantes blocos de informação disponíveis por hiperligação.
A pirâmide invertida como já explicado na publicação anterior, os acontecimentos não são relatados por ordem cronológica, mas sim por ordem de importância. Consiste na hierarquização das informações do mais para o menos importante, é a técnica de redação dominante no jornalismo há mais de 100 anos. Para ganhar tempo, os correspondentes de guerra iam diretos ao assunto: “não davam a sua opinião nem entravam em excessivos pormenores; procuravam informar sobre os acontecimentos mais importantes” (Fontcuberta, 1996: 59), nascia a “Pirâmide Invertida”.
Conta que neste bojo de argumentos “pró e contra” o uso da pirâmide invertida na cibernotícia, lhes trouxer um beneficio de uma inesperada e extraordinária contribuição. Ele destaca que Rosental Alves argumenta que desde 1996 Jackob Nielsen (3) vem defendendo que a pirâmide invertida continua a ser a mais adequada técnica de construção de notícias na web, porque os ciberleitores mudam rapidamente de página e querem captar de imediato o essencial no lead, fazendo depois um “varrimento” visual (leitura na diagonal) do corpo da notícia. Na maior parte do artigo o autor abre diversos diálogos entre outros autores que discutem o tema, uns defendem outros condenam o uso da “Pirâmide Invertida”. Se os coordenadores da obra são contra, já José Álvarez Marcos (2003: 247) propõe o conceito de “pirâmide convergente” juntando texto, imagem e som, e estruturada como a pirâmide invertida clássica. Adverte ainda para a importância que esta velha técnica tem na difusão de notícias para telemóveis (através da tecnologia SMS) e para os pequenos computadores de bolso (PDA). O escasso espaço disponível obriga ao uso de textos muito curtos e diretos.
A posição mais radical contra o uso da pirâmide invertida no ciberjornalismo encontrada na pesquisa, conforme Fernando Zamith, foi a assumida em 2001 por João Canavilhas: “No webjornalismo não faz qualquer sentido utilizar uma pirâmide, mas sim um conjunto de pequenos textos hiperligados entre si”. É curioso verificar que, anos mais tarde, o autor republicou o artigo, introduzindo uma ligeira – mas significativa – alteração ao texto original: “No webjornalismo a pirâmide é substituída por um conjunto de pequenos textos hiperligados entre si” (Canavilhas: 2003). Os argumentos pró e contra apresentados por Zamith poderiam prenunciar uma “guerra sem tréguas” entre opositores, mas o próprio autor conclui que as posições, na generalidade, não estão tão distantes umas das outras. No entanto, afirma que há alguma confusão de conceitos. Nem só de notícias (no sentido restrito) vive o jornalismo, o mesmo se passando no ciberjornalismo, com razão acrescida, dado ser um meio em que convergem todos os outros. A pesquisa de Fernando Zamith mostra que, praticamente todos os autores concordam que estas hard news e devem ser construídas numa estrutura piramidal, baseada num título e num lead/entrada/abertura fortes, conclusivos, que vão diretos ao assunto, ao que é notícia.
PRINCIPAIS CITAÇÕES
“Mar de Fontcuberta (1996: 58-59) atribui o nascimento da pirâmide invertida à Guerra de Secessão norte-americana, quando os correspondentes dos jornais se precipitavam para os postos do telégrafo procurando ser os primeiros a relatar os acontecimentos”. (P. 02).
“Carl N. Warren, citado por José Alvarez Marcos (2003: 246), defende, contudo, que foram os editores dos jornais que criaram a pirâmide invertida em 16 de Abril de 1861, data da queda do forte Sumter. As linhas telegráficas estavam constantemente a ser cortadas, pelo que os editores ordenaram aos seus correspondentes que relatassem o essencial nas primeiras linhas”. (P. 02).
“Não há um único manual de jornalismo que não faça referência a esta técnica redactorial. Em 1982, José Jorge Letria e José Goulão (1982: 74) classificaram-na mesmo como “uma das leis fundamentais do jornalismo...”. (P. 02).
“María José Cantalapiedra recusa-se a promover junto dos seus alunos o uso de outra técnica de construção da cibernotícia, por temer que se desconcentrem do essencial: “ter capacidade para contar num parágrafo o que se passa”. (P. 03).
“Em sua defesa, surgiu então o mais bem-disposto congressista, o pioneiro do jornalismo online no Brasil Rosental Calmon Alves. Este professor de Jornalismo Online da Universidade do Texas, onde é também responsável pelo Knight Center for Journalism in the Americas, propôs, ironicamente, a criação do Partido Pró-Pirâmide Invertida (PPPI)”. (P. 03).
“No final da sessão, falei com os dois defensores da pirâmide invertida, para procurar conhecer melhor os seus argumentos. María José Cantalapiedra recusa-se a promover junto dos seus alunos o uso de outra técnica de construção da cibernotícia, por temer que se desconcentrem do essencial: “ter capacidade para coO artigo de Fernando Zamith intitulado “Pirâmide invertida na cibernotícia: argumentos pró e contra”, propõe um confronto de posições e mostra uma pesquisa mais aprofundada sobre a pirâmide invertida na notícia escrita na e para a internet, ou a cibernotícia. Este artigo, resultante, sobretudo, de pesquisa bibliográfica, visa dar resposta(s) a uma questão: Faz ou não sentido usar a pirâmide invertida na cibernotícia? O autor acredita que a pirâmide invertida é a técnica de redação dominante no jornalismo de agência, crê ser mais adequado empregá-la também na cibernotícia.
O autor conta que em 2002 quando começou lecionar Técnicas de Expressão Jornalística Online, fora surpreendido com o nosso autor anterior. Diz ele que lendo o artigo de João Messias Canavilhas “Webjornalismo: Considerações gerais sobre jornalismo na web” (Canavilhas, 2001), constatou que ele afirmava peremptoriamente que “no webjornalismo não faz qualquer sentido utilizar uma pirâmide”. Conta que no artigo o autor há uma proposta de que a pirâmide invertida fosse substituída por “pequenos textos hiperligados entre si” – um primeiro texto a introduzir o essencial da notícia e os restantes blocos de informação disponíveis por hiperligação.
A pirâmide invertida como já explicado na publicação anterior, os acontecimentos não são relatados por ordem cronológica, mas sim por ordem de importância. Consiste na hierarquização das informações do mais para o menos importante, é a técnica de redação dominante no jornalismo há mais de 100 anos. Para ganhar tempo, os correspondentes de guerra iam diretos ao assunto: “não davam a sua opinião nem entravam em excessivos pormenores; procuravam informar sobre os acontecimentos mais importantes” (Fontcuberta, 1996: 59), nascia a “Pirâmide Invertida”.
Conta que neste bojo de argumentos “pró e contra” o uso da pirâmide invertida na cibernotícia, lhes trouxer um beneficio de uma inesperada e extraordinária contribuição. Ele destaca que Rosental Alves argumenta que desde 1996 Jackob Nielsen (3) vem defendendo que a pirâmide invertida continua a ser a mais adequada técnica de construção de notícias na web, porque os ciberleitores mudam rapidamente de página e querem captar de imediato o essencial no lead, fazendo depois um “varrimento” visual (leitura na diagonal) do corpo da notícia. Na maior parte do artigo o autor abre diversos diálogos entre outros autores que discutem o tema, uns defendem outros condenam o uso da “Pirâmide Invertida”. Se os coordenadores da obra são contra, já José Álvarez Marcos (2003: 247) propõe o conceito de “pirâmide convergente” juntando texto, imagem e som, e estruturada como a pirâmide invertida clássica. Adverte ainda para a importância que esta velha técnica tem na difusão de notícias para telemóveis (através da tecnologia SMS) e para os pequenos computadores de bolso (PDA). O escasso espaço disponível obriga ao uso de textos muito curtos e diretos.
A posição mais radical contra o uso da pirâmide invertida no ciberjornalismo encontrada na pesquisa, conforme Fernando Zamith, foi a assumida em 2001 por João Canavilhas: “No webjornalismo não faz qualquer sentido utilizar uma pirâmide, mas sim um conjunto de pequenos textos hiperligados entre si”. É curioso verificar que, anos mais tarde, o autor republicou o artigo, introduzindo uma ligeira – mas significativa – alteração ao texto original: “No webjornalismo a pirâmide é substituída por um conjunto de pequenos textos hiperligados entre si” (Canavilhas: 2003). Os argumentos pró e contra apresentados por Zamith poderiam prenunciar uma “guerra sem tréguas” entre opositores, mas o próprio autor conclui que as posições, na generalidade, não estão tão distantes umas das outras. No entanto, afirma que há alguma confusão de conceitos. Nem só de notícias (no sentido restrito) vive o jornalismo, o mesmo se passando no ciberjornalismo, com razão acrescida, dado ser um meio em que convergem todos os outros. A pesquisa de Fernando Zamith mostra que, praticamente todos os autores concordam que estas hard news e devem ser construídas numa estrutura piramidal, baseada num título e num lead/entrada/abertura fortes, conclusivos, que vão diretos ao assunto, ao que é notícia.
PRINCIPAIS CITAÇÕES
“Mar de Fontcuberta (1996: 58-59) atribui o nascimento da pirâmide invertida à Guerra de Secessão norte-americana, quando os correspondentes dos jornais se precipitavam para os postos do telégrafo procurando ser os primeiros a relatar os acontecimentos”. (P. 02).
“Carl N. Warren, citado por José Alvarez Marcos (2003: 246), defende, contudo, que foram os editores dos jornais que criaram a pirâmide invertida em 16 de Abril de 1861, data da queda do forte Sumter. As linhas telegráficas estavam constantemente a ser cortadas, pelo que os editores ordenaram aos seus correspondentes que relatassem o essencial nas primeiras linhas”. (P. 02).
“Não há um único manual de jornalismo que não faça referência a esta técnica redactorial. Em 1982, José Jorge Letria e José Goulão (1982: 74) classificaram-na mesmo como “uma das leis fundamentais do jornalismo...”. (P. 02).
“María José Cantalapiedra recusa-se a promover junto dos seus alunos o uso de outra técnica de construção da cibernotícia, por temer que se desconcentrem do essencial: “ter capacidade para contar num parágrafo o que se passa”. (P. 03).
“Em sua defesa, surgiu então o mais bem-disposto congressista, o pioneiro do jornalismo online no Brasil Rosental Calmon Alves. Este professor de Jornalismo Online da Universidade do Texas, onde é também responsável pelo Knight Center for Journalism in the Americas, propôs, ironicamente, a criação do Partido Pró-Pirâmide Invertida (PPPI)”. (P. 03).
“No final da sessão, falei com os dois defensores da pirâmide invertida, para procurar conhecer melhor os seus argumentos. María José Cantalapiedra recusa-se a promover junto dos seus alunos o uso de outra técnica de construção da cibernotícia, por temer que se desconcentrem do essencial: “ter capacidade para contar num parágrafo o que se passa”. (P. 03).
“Mike Ward (2002: 111) é outro partidário da estrutura piramidal, embora entenda que se deva colocar a pirâmide na sua posição natural, por dessa forma simbolizar melhor as duas intenções que lhe estão subjacentes: o mais importante e o mais breve primeiro”. (P. 05).
“A posição mais radical contra o uso da pirâmide invertida no ciberjornalismo encontrada nesta pesquisa foi a assumida em 2001 por João Canavilhas: “No webjornalismo não faz qualquer sentido utilizar uma pirâmide, mas sim um conjunto de pequenos textos hiperligados entre si”. (P. 05).
“No webjornalismo a pirâmide é substituída por um conjunto de pequenos textos hiperligados entre si” (Canavilhas: 2003)”. (P.05).
“O professor universitário reconhece que, “sem dúvida, a pirâmide invertida é um formato adequado” para o primeiro nível informativo hipertextual, “mais superficial”, com que os meios digitais se têm “conformado” até agora. Mas recomenda que esses meios comecem a apostar também em matérias que exigem maior profundidade documental e desenvolvimento narrativo, “onde a pirâmide invertida deixa de ser válida como formato discursivo”. (P. 06).
BIBLIOGRAFIA
http://www.webjornalismo.com//sections.php?op=viewarticle&artid=95

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