quinta-feira, 9 de julho de 2015

FICHAMENTO - Webjornalismo: Da pirâmide invertida à pirâmide deitada





O texto de João Canavillas nos trás um estudo sobre o desenvolvimento do webjornalismo na internet. A técnica da pirâmide invertida. Conforme o autor pode resumir-se em poucas palavras: a redação de uma notícia começa pelos dados mais importantes – a resposta às perguntas O quê, quem, onde, como, quando e por quê – seguido de informações complementares organizadas em blocos decrescentes de interesse. No entanto, uma notícia dividida em diversos blocos de texto ligados através de links poderão levar o leitor desavisado a não entender a notícia. O autor organizou uma experiência onde se convidava leitores a fazerem a leitura de uma notícia constituída por vários blocos de informação ligados através de hipertexto.  

De acordo com Canavillas o desenvolvimento dos meios de comunicação social está intimamente relacionado com os avanços que ocorreram nos métodos de difusão. Assim, aconteceu o mesmo com a rádio e a televisão. Tal como aconteceu nos meios tradicionais, o desenvolvimento do webjornalismo também está umbilicalmente ligado aos processos de aperfeiçoamento da sua difusão. A identificação de uma linguagem tem sido condicionada pela instabilidade resultante do rápido desenvolvimento das tecnologias de acesso e pelo desequilíbrio geográfico que se verifica no campo do acesso à Internet. Com o aparecimento do jornalismo na Web, esta discussão ganhou novo fôlego. Autores como Jacob Nielsen (1996), Rosental Alves ou José Álvarez Marcos, insistem na importância da pirâmide invertida nos meios online. Outros, como Ramon Salaverria (2005, 112 y ss) reconhecem a importância desta técnica nas notícias de última hora, mas a consideram uma técnica limitadora quando se fala de outros gêneros jornalísticos que podem tirar partido das potencialidades do hipertexto. 

Nas edições em papel o espaço é finito e, como tal, toda a organização informativa segue um modelo que procura rentabilizar a mancha disponível. Nas edições online o espaço é tendencialmente infinito. Podem fazer-se cortes por razões estilísticas, não por questões espaciais. Em lugar de uma notícia fechada entre as quatro margens de uma página, o jornalista pode oferecer novos horizontes imediatos de leitura através de ligações entre pequenos textos e outros elementos multimídia organizados em camadas de informação. Salaverria explica que a proposta não é inovadora, nem se aplica exclusivamente ao jornalismo. Autores como Robert Darnton (1999) destacam a importância do hipertexto nas publicações académicas, por exemplo. Este investigador salienta as potencialidades do ambiente web como alternativa para as publicações que não encontram espaço no papel. Porém, Darnton avisa que publicar na web implica uma nova arquitectura e propõe uma estrutura piramidal por camadas. Se o eixo vertical que vai do vértice superior à base da pirâmide invertida significa que o topo é mais importante que a base, então a pirâmide deve mudar de posição, procurando-se desta forma fugir à hierarquização da notícia em função da importância dos fatos relatados. 

Assim, propõe-se uma pirâmide deitada com quatro níveis de leitura e esta arquitetura exige “um novo tipo de jornalista – um profissional que tem neste tipo de trabalho uma alta percentagem de documentalista, que seja capaz de expor com eficácia o relato dos acontecimentos e os comentários produzidos nos distintos suportes possibilitados pela tela do computador. (Edo, 2002, 70). Em suma, a pirâmide deitada é uma técnica libertadora para utilizadores, mas também para os jornalistas.  

A análise dos dados permitiu concluir que existem diferentes padrões de leitura que deixam antever a necessidade de adotar um novo paradigma na organização da informação de cunho jornalístico. 


PRINCIPAIS CITAÇÕES  

Tal como aconteceu nos meios tradicionais, o desenvolvimento do webjornalismo também está umbilicalmente ligado aos processos de aperfeiçoamento da sua difusão. (P. 02). 

No sector da emissão, as dificuldades inerentes à viabilização económica dos meios online levou as empresas a recorrerem aos conteúdos já existentes e o elemento comum aos vários meios – imprensa escrita, rádio e televisão - é o texto que serve de base às notícias. (P. 04). 

Desta forma, foi com alguma naturalidade que o jornalismo na web se desenvolveu num modelo muito semelhante ao do jornalismo escrito, adoptando as mesmas técnicas de redação usadas na imprensa escrita. (P.04). 

A técnica da pirâmide invertida pode resumir-se em poucas palavras: a redação de uma notícia começa pelos dados mais importantes – a resposta às perguntas O quê, quem, onde, como, quando e por quê – seguido de informações complementares organizadas em blocos decrescentes de interesse. (P. 05). 

Esta arquitetura noticiosa nasceu durante a Guerra da Secessão, nos Estados Unidos da América. O telégrafo, a grande inovação técnica daquela época, possibilitava aos jornalistas o envio diário das suas crónicas de guerra. (P. 06). 

Esta regra de funcionamento obrigou os jornalistas a alterarem a técnica de redação mais utilizada até então. (P. 06). 

Com o aparecimento do jornalismo na Web, esta discussão ganhou novo fôlego. (P.06). 

Nas edições em papel o espaço é finito e, como tal, toda a organização informativa segue um modelo que procura rentabilizar a mancha disponível. (P.07). 

Nas edições online o espaço é tendencialmente infinito. Podem fazer-se cortes por razões estilísticas, mas não por questões espaciais. (P.07). 

“O trabalho de redação implica jogar com duas variáveis: “dimensão” (quantidade de dados) e “estrutura” (arquitetura da notícia). A correta manipulação das variáveis obriga os jornalistas a optarem pelas técnicas de redação que mais se adequam às características do meio, dando mais importância a uma ou outra variável. (P. 10). 

Estruturar uma notícia na web implica a produção de um guião que permita visualizar a sua arquitetura, nomeadamente a organização hierárquica dos elementos multimídia e suas ligações internas. (P. 10 e 11). 

“Esta arquitetura exige “um novo tipo de jornalista – um profissional que tem neste tipo de trabalho uma alta percentagem de documentalista, que seja capaz de expor com eficácia o relato dos acontecimentos e os comentários produzidos nos distintos suportes possibilitados pela tela do computador. (Edo, 2002, 70). (P.16). 

BIBLIOGRAFIA 
Canavilhas, João (2001) Webjornalismo: considerações gerais 
sobre o jornalismo na web. Em http://www.bocc.ubi.pt/pag/ 
canavilhas-joao-webjornal.pdf 

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